Primeira Aula –
Introdução a História da
Filosofia.
- DEFINIÇÃO DO TERMO FILOSOFIA.
Filosofia é uma expressão de origem
grega que está ligada ao amor=filo e Sofia= sabedoria, “é a investigação crítica e
racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem”. Esse termo foi usado pela
primeira vez pelo famoso Filósofo Grego PITÁGORAS por volta do século V aC, ao
responder a um de seus discípulos que ele não era um "Sábio", mas
apenas alguém que amava a Sabedoria. Filosofia é então a busca pelo
conhecimento último e primordial, a Sabedoria Total.
Nada
escapa à investigação filosófica. A amplitude de seu objeto de estudo é tão
vasta, que foge a compreensão de muitas pessoas, que chegam a pensar ser a
Filosofia uma atividade inútil. Além disso seu significado também é muito
distorcido no conhecimento popular, que muitas vezes a reduz a qualquer
conjunto simplório de idéias específicas, as "filosofias de vida", ou
basicamente a um exercício poético.
“A filosofia surge nas colônias gregas
do mar Jônico, elabora-se em Atenas, passa pelo cristianismo surgido na
palestina, desenvolve-se no mundo
helênico, é apropriado pelo mundo latino e cristão, renova-se com o pensamento
árabe, rompe com a tradição no inicio do período moderno. Cabe portanto
relativizar de certo modo a unidade dessa tradição. Trata-se muito mais de um
mosaico do que de uma galeria de retratos.” [1]
SEGUNDA AULA –
- AS ORIGENS
2.1.
O
surgimento da filosofia na Grécia antiga
2.1.1. A passagem do pensamento mítico para o
filosófico – científico
- No
livro I da metafísica de Aristóteles ele cita Tales de Mileto como sendo o
primeiro filósofo.
Interrogação
:O que Tales de Mileto faz de tão diferente para o chamarem de primeiro
filósofo? Será que não houve pensamento antes dele?
- Os
povos como assírios, babilônios, chineses, indianos, egípcios, persas e
hebreus. Tinham uma visão do mundo que os cercava. Isto era conhecido como
pensamento mítico.
Interrogação:
Qual a diferença do pensamento mítico e do filosófico – científico que surge no
VI a. C.?
- O
pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos
essenciais da realidade em que vive: Ex: a origem do mundo, o
funcionamento da natureza, a origem do povo a ética deste povo.
- O
mito caracteriza-se sobretudo pelo modo como estas explicações são dadas.
- O
termo grego mythos significa: discurso especial, ictício ou imaginário,
podendo ser sinônimo de mentira.
- As
narrativas não são produtos de um autor, mas parte da tradição cultural e
folclórica de um povo. Sua cronologia é incerta, a transmissão é oral.
- Os
poetas Homero (Ilíada e a Odisséia séc. IX a.C.), e Hesíodo (Teogonia séc.
VIII a.C.), Não são as fontes desses mitos, mas relatam, lenda existentes
desde (1500 a.C. período arcaico)
- Por
ser parte da tradição cultural, é configurado como a própria visão de
mundo dos indivíduos, a maneira de vivenciar esta realidade.
Pressupostos
de adesão e aceitação.
·
O mito: Não se Justifica, não se fundamenta, não se
presta a questionamento, não se presta a crítica e a correção, não há discussão
sobre o mito, exclui outras perspectivas de discussão. Ou se aceita o mito (por
ser parte dessa cultura), ou não pertence a ela; o mito não faz sentido para
ele.
Os elementos: como forma de explicar a realidade é o apelo ao: Sobrenatural, Mistério, ao sagrado e
a magia.
Ex. de estrutura mítica:
Tudo é governado por uma realidade exterior ao mundo humano e natural. Essa força é: superior,
misteriosa, divina. Meio de contato: pelos
sacerdotes, magos, iniciados, são capazes de interpretar. Intermediário: sacerdotes, rituais religiosos, oráculos. (postos entre o mundo
humano e o mundo divino). Sacrifícios:
Formas de tentar alcança favor, agradecer esses favores, aplacar a ira de
deuses.
- Transição
Mítica – Filosófico Científica: Tales de Mileto, inicia-se com a
insatisfação com o tipo de explicação do real.
Insatisfação com a linha paradoxal do
mito. (Tenta explicar a realidade, mas para explicar recorre ao mistério e ao
sobrenatural. Aquilo que não se pode explicar, não se pode compreender por
estar fora do plano da compreensão humana. O método esbarra no inexplicável, na
impossibilidade do conhecimento)
ATIVIDADE EM SALA DE AULA:
- Debata com seus colegas de grupo
sobre a importância do pensamento filosófico e seu romper com o mundo de
interpretação mítica. Relate cinco princípios míticos.
TERCEIRA
AULA –
2.1.2. O Início da Filosofia – Científica.
- Os
primeiros filósofos da escola jônica buscavam uma explicação do mundo
natural ( a pysis, daí o nosso termo “física”), tendo base nas causas
naturais (naturalismo)
- Conceito:
A explicação do mundo estaria no próprio mundo
Rompe com o pensamento mítico enquanto forma de explicar a realidade. (não
de forma completa)
2.1.2.1. O Contexto da Tradição.
Esta
transformação tem como resultado ou como paralelismo uma mudança na sociedade:
- Decadência
da civilização micênica – cretense na Grécia (séc. XII a.C.);
- Decadência
da estrutura baseada na monarquia divina (onde o sacerdote tinha grande
influência política, o poder era hereditário);
- Invação
da Grécia pelos dórios vindos da Ásia central ( 900 – 750 a. C.);
- Surgimento
das cidades – Estados;
- Participação
política ativa dos cidadãos;
- A
religião vai tendo seu papel reduzido;
- Surgimento
de uma nova ordem econômica: baseada nas atividades comerciais e mercantis;
- O
pensamento mítico vai deixando de satisfazer as necessidades da nova
organização social;
- O
pensamento filosófico científico encontra condição para o seu nascimento;
2.1.2.2. O florescer do pensamento filosófico
científico
Surgimento:
Tales de Mileto (escola de Mileto). Início nas colônias gregas do mediterrâneo
oriental, no mar Jônico, no que é hoje a península da Anatólia na Turquia.
(Mileto e Éfeso)[2]
2.1.2.3. Noções fundamentais do pensamento
filosófico científico.
Contribuição
dos primeiros pensadores: conjunto de noções que tentam explicar a realidade (
conceitos básicos sobre a natureza)
A - A physis:
Aristóteles chama o primeiro filósofo de physiólogos, ou seja, estudiosos ou
teóricos da natureza (physis).
Objeto:
(da investigação) – O mundo natural – explicação causal – encontrar resposta na
própria natureza.
B - A causalidade:
Uma conexão entre determinados fenômenos naturais constitui assim a forma
básica da explicação científica.
b.1. Explicar é relacionar um efeito
a uma causa que o antecede e o determinar.
b.2. A explicação levaria ao
inexplicável, a um mistério, portanto, tal como no pensamento mítico.
b.3. Para evitar isto, surge a
necessidade de estabelecer uma causa primeira, um primeiro princípio, ou
conjunto de princípios.
C – A arqué
( elemento primordial)
O primeiro a formular essa noção é exatamente
Tales de Mileto.
Conceito:
“a água é a causa material de todas as coisas” (hydor)
Talvez por ser o único a ser
encontrado nos três estágios sólido,
líguido e gasoso.
Conceito:
Anaximandro – “O ilimitado ou infinito é a essência de todas as coisas”
Anaxímenes – “Todas as coisas resultam de uma condensação ou refração do
ar.” (apeíron - um principio abstrato)
Conceito:
Heráclito: “o fogo é o fluxo universal ou o devir de todas as coisas e o
primeiro princípio da realidade” (princípio explicativo)
Conceito:
Parmênides – “O ser é a única substância homogênea e contínua.” p. 25
Academicamente, a Filosofia é dividida
em:
ANTIGA
ou CLÁSSICA
- do século VIaC até VIdC -
- do século VIaC até VIdC -
Foi
a era dos pré-socráticos, os filósofos da natureza, os Atomistas, os sofistas,
de Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino e etc. Esses filósofos
simplesmente construíram toda a estrutura de nosso conhecimento. Tudo o que
temos hoje deve-se ao progresso promovido pelos gregos antigos, ainda que a
maior parte dele tenha permanecido adormecido por mil anos. O Universo foi a
principal preocupação nesta época.
MEDIEVAL
- do século IIdC até XVdC -
- do século IIdC até XVdC -
A
era da Filosofia Cristã, da Teologia Revelada, da tradição escolástica. A
preocupação principal dos filósofos era Deus. Alguns deles foram canonizados,
como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Surge a Navalha de Guilherme de
Occam, que mais tarde viria a ser a ferramente básica da Ciência.
MODERNA
- do século XVIIaC até XIXdC -
- do século XVIIaC até XIXdC -
Surge
junto com o Renascimento e o despertar científico, que recupera a sabedoria da
Grécia Antiga. O Racionalismo Cartesiano, o Empirismo, o retorno do Ceticismo e
muitos outros movimentos deram impulso a Ciência. Descartes imortalizou o
"Penso Logo Existo" como um ponto de partida para a construção de um
conhecimento seguro. Mais tarde Karl Marx lança as bases do Socialismo, e Adam
Smith estrutura o Capitalismo. O enfoque de aí em diante se centrou no Ser
Humano e suas possibilidades.
CONTEMPORÂNEA
- do XIXdC até... -
- do XIXdC até... -
Os
novos desafios no mundo atual surgem sob a forma da Emancipação Feminina, o
rompimento definitivo dos Governos com as Igrejas Cristãs, o Existencialismo, a
ênfase na Linguística, e mais recentemente o Estruturalismo e o Desconstrutivismo.
Alguns nomes já se imortalizaram, como Sartre, Simone de Beauvoir ou Michael
Foucalt.
[1]
MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. p.14
[2]
Ponto de encontro das caravanas provenientes do Oriente – Mesopotâmia, Pérsia,
Índia e China. Nessa
s cidades conviviam
diferentes cultura, e de forma harmoniosa. Eram cidades cosmopolitas (as ilhas
Jônicas), pluralismo cultural, diversidade lingüística, tradição, cultos e
mitos.
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