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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Aulas de 1 a 3 - Filosofia.


Primeira Aula –
Introdução a História da Filosofia.
  1. DEFINIÇÃO DO TERMO FILOSOFIA.

Filosofia é uma expressão de origem grega que está ligada ao amor=filo e Sofia= sabedoria, “é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem”.  Esse termo foi usado pela primeira vez pelo famoso Filósofo Grego PITÁGORAS por volta do século V aC, ao responder a um de seus discípulos que ele não era um "Sábio", mas apenas alguém que amava a Sabedoria. Filosofia é então a busca pelo conhecimento último e primordial, a Sabedoria Total.

Nada escapa à investigação filosófica. A amplitude de seu objeto de estudo é tão vasta, que foge a compreensão de muitas pessoas, que chegam a pensar ser a Filosofia uma atividade inútil. Além disso seu significado também é muito distorcido no conhecimento popular, que muitas vezes a reduz a qualquer conjunto simplório de idéias específicas, as "filosofias de vida", ou basicamente a um exercício poético.

“A filosofia surge nas colônias gregas do mar Jônico, elabora-se em Atenas, passa pelo cristianismo surgido na palestina, desenvolve-se  no mundo helênico, é apropriado pelo mundo latino e cristão, renova-se com o pensamento árabe, rompe com a tradição no inicio do período moderno. Cabe portanto relativizar de certo modo a unidade dessa tradição. Trata-se muito mais de um mosaico do que de uma galeria de retratos.” [1]

SEGUNDA AULA –
  1.  AS ORIGENS

2.1.        O surgimento da filosofia na Grécia antiga

2.1.1.   A passagem do pensamento mítico para o filosófico – científico

  • No livro I da metafísica de Aristóteles ele cita Tales de Mileto como sendo o primeiro filósofo.

Interrogação :O que Tales de Mileto faz de tão diferente para o chamarem de primeiro filósofo? Será que não houve pensamento antes dele?

  • Os povos como assírios, babilônios, chineses, indianos, egípcios, persas e hebreus. Tinham uma visão do mundo que os cercava. Isto era conhecido como pensamento mítico.

Interrogação: Qual a diferença do pensamento mítico e do filosófico – científico que surge no VI a. C.?

  • O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: Ex: a origem do mundo, o funcionamento da natureza, a origem do povo a ética deste povo.
  • O mito caracteriza-se sobretudo pelo modo como estas explicações são dadas.
  • O termo grego mythos significa: discurso especial, ictício ou imaginário, podendo ser sinônimo de mentira.
  • As narrativas não são produtos de um autor, mas parte da tradição cultural e folclórica de um povo. Sua cronologia é incerta, a transmissão é oral.
  • Os poetas Homero (Ilíada e a Odisséia séc. IX a.C.), e Hesíodo (Teogonia séc. VIII a.C.), Não são as fontes desses mitos, mas relatam, lenda existentes desde (1500 a.C. período arcaico)
  • Por ser parte da tradição cultural, é configurado como a própria visão de mundo dos indivíduos, a maneira de vivenciar esta realidade.

Pressupostos de adesão e aceitação.
·         O mito:  Não se Justifica, não se fundamenta, não se presta a questionamento, não se presta a crítica e a correção, não há discussão sobre o mito, exclui outras perspectivas de discussão. Ou se aceita o mito (por ser parte dessa cultura), ou não pertence a ela; o mito não faz sentido para ele.

Os elementos: como forma de explicar a realidade é o apelo ao: Sobrenatural, Mistério, ao sagrado e a magia.

Ex. de estrutura mítica: Tudo é governado por uma realidade exterior ao mundo humano e natural. Essa força é: superior, misteriosa, divina. Meio de contato: pelos sacerdotes, magos, iniciados, são capazes de interpretar. Intermediário: sacerdotes, rituais religiosos, oráculos. (postos entre o mundo humano e o mundo divino). Sacrifícios: Formas de tentar alcança favor, agradecer esses favores, aplacar a ira de deuses.

  • Transição Mítica – Filosófico Científica: Tales de Mileto, inicia-se com a insatisfação com o tipo de explicação do real.
Insatisfação com a linha paradoxal do mito. (Tenta explicar a realidade, mas para explicar recorre ao mistério e ao sobrenatural. Aquilo que não se pode explicar, não se pode compreender por estar fora do plano da compreensão humana. O método esbarra no inexplicável, na impossibilidade do conhecimento)

ATIVIDADE EM SALA DE AULA:
  1. Debata com seus colegas de grupo sobre a importância do pensamento filosófico e seu romper com o mundo de interpretação mítica. Relate cinco princípios míticos.


TERCEIRA AULA –

2.1.2.   O Início da Filosofia – Científica.

  • Os primeiros filósofos da escola jônica buscavam uma explicação do mundo natural ( a pysis, daí o nosso termo “física”), tendo base nas causas naturais (naturalismo)
  • Conceito: A explicação do mundo estaria no próprio mundo
      Rompe com o pensamento mítico enquanto forma de explicar a realidade. (não de forma completa)

2.1.2.1.       O Contexto da Tradição.

Esta transformação tem como resultado ou como paralelismo uma mudança na sociedade:
  • Decadência da civilização micênica – cretense na Grécia (séc. XII a.C.);
  • Decadência da estrutura baseada na monarquia divina (onde o sacerdote tinha grande influência política, o poder era hereditário);
  • Invação da Grécia pelos dórios vindos da Ásia central ( 900 – 750 a. C.);
  • Surgimento das cidades – Estados;
  • Participação política ativa dos cidadãos;
  • A religião vai tendo seu papel reduzido;
  • Surgimento de uma nova ordem econômica: baseada nas atividades comerciais e mercantis;
  • O pensamento mítico vai deixando de satisfazer as necessidades da nova organização social;
  • O pensamento filosófico científico encontra condição para o seu nascimento;

2.1.2.2.       O florescer do pensamento filosófico científico

Surgimento: Tales de Mileto (escola de Mileto). Início nas colônias gregas do mediterrâneo oriental, no mar Jônico, no que é hoje a península da Anatólia na Turquia. (Mileto e Éfeso)[2]

2.1.2.3.       Noções fundamentais do pensamento filosófico científico.

Contribuição dos primeiros pensadores: conjunto de noções que tentam explicar a realidade ( conceitos básicos sobre a natureza)

 A - A physis: Aristóteles chama o primeiro filósofo de physiólogos, ou seja, estudiosos ou teóricos da natureza (physis).
Objeto: (da investigação) – O mundo natural – explicação causal – encontrar resposta na própria natureza.

B - A causalidade: Uma conexão entre determinados fenômenos naturais constitui assim a forma básica da explicação científica.
            b.1. Explicar é relacionar um efeito a uma causa que o antecede e o determinar.
            b.2. A explicação levaria ao inexplicável, a um mistério, portanto, tal como no pensamento mítico.
            b.3. Para evitar isto, surge a necessidade de estabelecer uma causa primeira, um primeiro princípio, ou conjunto de princípios.

C – A arqué ( elemento primordial)

 O primeiro a formular essa noção é exatamente Tales de Mileto.

Conceito: “a água é a causa material de todas as coisas” (hydor)
            Talvez por ser o único a ser encontrado nos três  estágios sólido, líguido e gasoso.

Conceito: Anaximandro – “O ilimitado ou infinito é a essência de todas as coisas”
                  Anaxímenes – “Todas as coisas resultam de uma condensação ou refração do ar.” (apeíron  - um principio abstrato)

Conceito: Heráclito: “o fogo é o fluxo universal ou o devir de todas as coisas e o primeiro princípio da realidade” (princípio explicativo)

Conceito: Parmênides – “O ser é a única substância homogênea e contínua.” p. 25

Academicamente, a Filosofia é dividida em:
ANTIGA ou CLÁSSICA
- do século VIaC até VIdC -
Foi a era dos pré-socráticos, os filósofos da natureza, os Atomistas, os sofistas, de Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino e etc. Esses filósofos simplesmente construíram toda a estrutura de nosso conhecimento. Tudo o que temos hoje deve-se ao progresso promovido pelos gregos antigos, ainda que a maior parte dele tenha permanecido adormecido por mil anos. O Universo foi a principal preocupação nesta época.
MEDIEVAL
- do século IIdC até XVdC -
A era da Filosofia Cristã, da Teologia Revelada, da tradição escolástica. A preocupação principal dos filósofos era Deus. Alguns deles foram canonizados, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Surge a Navalha de Guilherme de Occam, que mais tarde viria a ser a ferramente básica da Ciência.
MODERNA
- do século XVIIaC até XIXdC -
Surge junto com o Renascimento e o despertar científico, que recupera a sabedoria da Grécia Antiga. O Racionalismo Cartesiano, o Empirismo, o retorno do Ceticismo e muitos outros movimentos deram impulso a Ciência. Descartes imortalizou o "Penso Logo Existo" como um ponto de partida para a construção de um conhecimento seguro. Mais tarde Karl Marx lança as bases do Socialismo, e Adam Smith estrutura o Capitalismo. O enfoque de aí em diante se centrou no Ser Humano e suas possibilidades.
CONTEMPORÂNEA
- do XIXdC até...  -
Os novos desafios no mundo atual surgem sob a forma da Emancipação Feminina, o rompimento definitivo dos Governos com as Igrejas Cristãs, o Existencialismo, a ênfase na Linguística, e mais recentemente o Estruturalismo e o Desconstrutivismo. Alguns nomes já se imortalizaram, como Sartre, Simone de Beauvoir ou Michael Foucalt.


[1] MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. p.14
[2] Ponto de encontro das caravanas provenientes do Oriente – Mesopotâmia, Pérsia, Índia e China. Nessa
s cidades conviviam diferentes cultura, e de forma harmoniosa. Eram cidades cosmopolitas (as ilhas Jônicas), pluralismo cultural, diversidade lingüística, tradição, cultos e mitos.

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