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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Pequeno Ensaio sobre o Homem como produto de seu tempo.



Este conceito trabalharemos em sala no dia 28/02/2012 no Educare 1º ano. Queridos alunos em um formato diferente dos textos acadêmicos, quero compartilhar com vocês a ideia acima apresentada. Parece que para a maioria dos homens nós somos somente criatura e não criador. Lógico que neste sentido estamos falando de criador e criatura social, que vive, produz e reproduz seu próprio meio de convívio.

Como seres sociais somos dados as relações com o passado e o produto que nos chegou então, com o presente e os desafios dos mesmos e com o futuro para produzir algo, ou um conceito epistemológico que perdure e sustente suas influencias em gerações posteriores. Queremos e podemos mudar o presente com ações de dentro dele e assim escrever um novo tempo não só no imediato presente e sim no que virá pouco ou muito depois. Lembre-se que a história não é feita pelos medíocres que se acomodam com a realidade aparente e sim com os sonhadores que garimpam novas respostas e propõe explicações aparentemente sonhadoras e revolucionária.

Somos produto e produtor do meio em que vivemos. Aderimos a conhecimento sobre o passado como alguém que sobe ao cume de um monte para ver alem do que se pode perceber no nível normal. Não podemos ignorar o nosso tempo e nem a herança que ele nos traz. Somos herdeiros incontidos que não procuram o valor imediato e não desprezam as pistas dadas em nosso cotidiano. Como um mapa nas mãos de um pirata, assim é o sociólogo que contempla e se deixa influenciar pelo desejo da descoberta. 

Mãos a obra. É tempo de desconstruir e construir.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

O QUE É SOCIOLOGIA. PRIMEIRO E SEGUNDO ANO.


Carlos Benedito Martins
38ª ed. - São Paulo Brasiliense, 1994, (Coleção primeiros passos) - ADAPTAÇÃO.

Introdução. Capítulo primeiro: O surgimento. Capítulo segundo: A formação.
Capítulo terceiro: O desenvolvimento. Indicações para leitura. Sobre o autor

INTRODUÇÃO
A sociologia constitui um projeto intelectual tenso e contraditório. Para alguns ela representa uma poderosa arma a serviço dos interesses dominantes, para outros ela é a expressão teórica dos movimentos revolucionários.
A sua posição é notavelmente contraditória. De um lado, foi proscrita de inúmeros centros de ensino. Foi fustigada, em passado recente, nas universidades brasileiras, congelada pelos governos militares argentino, chileno e outros do gênero. Em 1968, os coronéis gregos acusavam-na de ser disfarce do marxismo e teoria da revolução. Enquanto isso, os estudantes de Paris escreviam nos muros da Sorbonne que "não teríamos mais problemas quando o último sociólogo fosse estrangulado com as tripas do último burocrata".
Como compreender as avaliações tão diferentes dirigidas com relação a esta ciência? Para esclarecer esta questão, torna-se necessário conhecer, ainda que de forma bastante geral e com algumas omissões, um pouco de sua história. Isto me leva a situar a sociologia - este conjunto de conceitos, de técnicas e de métodos de investigação produzidos para explicar a vida social no contexto histórico que possibilitou o seu surgimento, formação e desenvolvimento.
Este livro parte do princípio de que a sociologia é o resultado de uma tentativa de compreensão de situações sociais radicalmente novas, criadas pela então nascente sociedade capitalista. A trajetória desta ciência tem sido uma constante tentativa de dialogar com a civilização capitalista, em suas diferentes fases.
Na verdade, a sociologia, desde o seu início, sempre foi algo mais do que uma mera tentativa de reflexão sobre a sociedade moderna. Suas explicações sempre contiveram intenções práticas, um forte desejo de interferir no rumo desta civilização. Se o pensamento científico sempre guarda uma correspondência com a vida social, na sociologia esta influência é particularmente marcante. Os interesses econômicos e políticos dos grupos e das classes sociais, que na sociedade capitalista apresentam-se de forma divergente, influenciam profundamente a elaboração do pensamento sociológico.
Procuro apresentar, em termos de debate, a dimensão política da sociologia, a natureza e as conseqüências de seu envolvimento nos embates entre os grupos e as classes sociais e refletir em que medida os conceitos e as teorias produzidos pelos sociólogos contribuem para manter ou alterar as relações de poder existentes na sociedade.


CAPÍTULO PRIMEIRO:
O SURGIMENTO
Podemos entender a sociologia como uma das manifestações do pensamento moderno. A evolução do pensamento científico, que vinha se constituindo desde Copérnico, passa a cobrir, com a sociologia, uma nova área do conhecimento ainda não incorporada ao saber científico, ou seja, o mundo social. Surge posteriormente à constituição das ciências naturais e de diversas ciências sociais.
A sua formação constitui um acontecimento complexo para o qual concorre uma constelação de circunstâncias, históricas e intelectuais, e determinadas intenções práticas. O seu surgimento ocorre num contexto histórico específico, que coincide com os derradeiros momentos da desagregação da sociedade feudal e da consolidação da civilização capitalista. A sua criação não é obra de um único filósofo ou cientista, mas representa o resultado da elaboração de um conjunto de pensadores que se empenharam em compreender as novas situações de existência que estavam em curso.
O século XVIII constitui um marco importante para a história do pensamento ocidental e para o surgimento da sociologia. As transformações econômicas, políticas e culturais que se aceleram a partir dessa época colocarão problemas inéditos para os homens que experimentavam as mudanças que ocorriam no ocidente europeu. A dupla revolução que este século testemunha - a industrial e a francesa - constituía os dois lados de um mesmo processo, qual seja, a instalação definitiva da sociedade capitalista. A palavra sociologia apareceria somente um século depois, por volta de 1830, mas são os acontecimentos desencadeados pela dupla revolução que a precipitam e a tornam possível.
Não constitui objetivo desta parte do trabalho proceder a uma análise destas duas revoluções, mas apenas estabelecer algumas relações que elas possuem com a formação da sociologia. A revolução industrial significou algo mais do que a introdução da máquina a vapor e dos sucessivos aperfeiçoamentos dos métodos produtivos. Ela representou o triunfo da indústria capitalista, capitaneada pelo empresário capitalista que foi pouco a pouco concentrando as máquinas, as terras e as ferramentas sob o seu controle, convertendo grandes massas humanas em simples trabalhadores despossuídos.
Cada avanço com relação à consolidação da sociedade capitalista representava a desintegração, o solapamento de costumes e instituições até então existentes e a introdução de novas formas de organizar a vida social. A utilização da máquina na produção não apenas destruiu o artesão independente, que possuía um pequeno pedaço de terra, cultivado nos seus momentos livres. Este foi também submetido á uma severa disciplina, a novas formas de conduta e de relações de trabalho, completamente diferentes das vividas anteriormente por ele.
Num período de oitenta anos, ou seja, entre 1780 e 1860, a Inglaterra havia mudado de forma marcante a sua fisionomia. País com pequenas cidades, com uma população rural dispersa, passou a comportar enormes cidades, nas quais se concentravam suas nascentes indústrias, que espalharam produtos para o mundo inteiro. Tais modificações não poderiam deixar de produzir novas realidades para os homens dessa época. A formação de uma sociedade que se industrializava e urbanizava em ritmo crescente implicava a reordenação da sociedade rural, a destruição da servidão, o desmantelamento da família patricial etc. A transformação da atividade artesanal em manufatureira e, por último, em atividade fabril, desencadeou uma maciça emigração do campo para a cidade, assim como engajou mulheres e crianças em jornadas de trabalho de pelo menos doze horas, sem férias e feriados, ganhando um salário de subsistência. Em alguns setores da indústria inglesa, mais da metade dos trabalhadores era constituída por mulheres e crianças, que ganhavam salários inferiores dos homens.
A desaparição dos pequenos proprietários rurais, dos artesãos independentes, a imposição de prolongadas horas de trabalho etc, tiveram um efeito traumático sobre milhões de seres humanos ao modificar radicalmente suas formas habituais de vida. Estas transformações, que possuíam um sabor de cataclisma, faziam-se mais visíveis nas cidades industriais, local para onde convergiam todas estas modificações e explodiam suas conseqüências. Estas cidades passavam por um vertiginoso crescimento demográfico, sem possuir, no entanto, uma estrutura de moradias, de serviços sanitários, de saúde, capaz de acolher a população que se deslocava do campo. Manchester, que constitui um ponto de referência indicativo desses tempos, por volta do início do século XIX era habitada por setenta mil habitantes; cinqüenta anos depois, possuía trezentas mil pessoas. As conseqüências da rápida industrialização e urbanização levadas a cabo pelo sistema capitalista foram tão visíveis quanto trágicas: aumento assustador da prostituição, do suicídio, do alcoolismo, do infanticídio, da criminalidade, da violência, de surtos de epidemia de tifo e cólera que dizimaram parte da população etc.
É evidente que a situação de miséria também atingia o campo, principalmente os trabalhadores assalariados, mas o seu epicentro ficava, sem dúvida, nas cidades industriais.
Um dos fatos de maior importância relacionados com a revolução industrial é sem dúvida o aparecimento do proletariado e o papel histórico que ele desempenharia na sociedade capitalista. Os efeitos catastróficos que esta revolução acarretava para a classe trabalhadora levaram-na a negar suas condições de vida. As manifestações de revolta dos trabalhadores atravessaram diversas fases, como a destruição das máquinas, atos de sabotagem e explosão de algumas oficinas, roubos e crimes, evoluindo para a criação de associações livres, formação de sindicatos etc. A conseqüência desta crescente organização foi a de que os "pobres" deixaram de se confrontar com os "ricos"; mas uma classe específica, a classe operária, com consciência de seus interesses, começava a organizar-se para enfrentar os proprietários dos instrumentos de trabalho. Nesta trajetória, iam produzindo seus jornais, sua própria literatura, procedendo a uma crítica da sociedade capitalista e inclinando-se para o socialismo como alternativa de mudança.
Qual a importância desses acontecimentos para a sociologia? O que merece ser salientado é que a profundidade das transformações em curso colocava a sociedade num plano de análise, ou seja, esta passava a se constituir em "problema", em "objeto" que deveria ser investigado. Os pensadores ingleses que testemunhavam estas transformações e com elas se preocupam não eram, no entanto, homens de ciência ou sociólogos que viviam desta profissão. Eram antes de tudo homens voltados para a ação, que desejavam introduzir determinadas modificações na sociedade. Participavam ativamente dos debates ideológicos em que se envolviam as correntes liberais, conservadoras e socialistas. Eles não desejavam produzir um mero conhecimento sobre as novas condições de vida geradas pela revolução industrial, mas procuravam extrair dele orientações para a ação, tanto para manter, como para reformar ou modificar radicalmente a sociedade de seu tempo. Tal fato significa que os precursores da sociologia foram recrutados entre militantes políticos, entre indivíduos que participavam e se envolviam profundamente com os problemas de suas sociedades.
Pensadores como Owen (1771-1858), William Thompson (1775-1833), Jeremy Bentham (1748-1832), só para citar alguns daquele momento histórico, podiam discordar entre si ao julgarem as novas condições de vida provocadas peta revolução industrial e as modificações que deveriam ser realizadas na nascente sociedade industrial, mas todos eles concordavam que ela produzira fenômenos inteiramente novos que mereciam ser analisados. O que eles refletiram e escreveram foi de fundamental importância para a formação e constituição de um saber sobre a sociedade.
A sociologia constitui em certa medida uma resposta intelectual às novas situações colocadas pela revolução industrial. Boa parte de seus temas de análise e de reflexão foi retirada das novas situações, como, por exemplo, a situação da classe trabalhadora, o surgimento da cidade industrial, as transformações tecnológicas, a organização do trabalho na fábrica etc. É a formação de uma estrutura social muito específica -a sociedade capitalista - que impulsiona uma reflexão sobre a sociedade, sobre suas transformações, suas crises, seus antagonismos de classe. Não é por mero acaso que a sociologia, enquanto instrumento de análise, inexistia nas relativamente estáveis sociedades pré-capitalistas, uma vez que o ritmo e o nível das mudanças que aí se verificavam não chegavam a colocar a sociedade como "um problema" a ser investigado.
O surgimento da sociologia, como se pode perceber, prende-se em parte aos abalos provocados pela revolução industrial, pelas novas condições de existência por ela criadas. Mas uma outra circunstância concorreria também para a sua formação. Trata-se das modificações que vinham ocorrendo nas formas de pensamento. As transformações econômicas, que se achavam em curso no ocidente europeu desde o século XVI, não poderiam deixar de provocar modificações na forma de conhecera natureza e a cultura.
A partir daquele momento, o pensamento paulatinamente vai renunciando a uma visão sobrenatural para explicar os fatos e substituindo-a por uma indagação racional. A aplicação da observação e da experimentação, ou seja, do método científico para a explicação da natureza, conhecia uma fase de grandes progressos. Num espaço de cento e cinqüenta anos, ou seja, de Copérnico a Newton, a ciência passou por um notável progresso, mudando até mesmo a localização do planeta Terra no cosmo. 

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Aulas de 1 a 3 - Filosofia.


Primeira Aula –
Introdução a História da Filosofia.
  1. DEFINIÇÃO DO TERMO FILOSOFIA.

Filosofia é uma expressão de origem grega que está ligada ao amor=filo e Sofia= sabedoria, “é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem”.  Esse termo foi usado pela primeira vez pelo famoso Filósofo Grego PITÁGORAS por volta do século V aC, ao responder a um de seus discípulos que ele não era um "Sábio", mas apenas alguém que amava a Sabedoria. Filosofia é então a busca pelo conhecimento último e primordial, a Sabedoria Total.

Nada escapa à investigação filosófica. A amplitude de seu objeto de estudo é tão vasta, que foge a compreensão de muitas pessoas, que chegam a pensar ser a Filosofia uma atividade inútil. Além disso seu significado também é muito distorcido no conhecimento popular, que muitas vezes a reduz a qualquer conjunto simplório de idéias específicas, as "filosofias de vida", ou basicamente a um exercício poético.

“A filosofia surge nas colônias gregas do mar Jônico, elabora-se em Atenas, passa pelo cristianismo surgido na palestina, desenvolve-se  no mundo helênico, é apropriado pelo mundo latino e cristão, renova-se com o pensamento árabe, rompe com a tradição no inicio do período moderno. Cabe portanto relativizar de certo modo a unidade dessa tradição. Trata-se muito mais de um mosaico do que de uma galeria de retratos.” [1]

SEGUNDA AULA –
  1.  AS ORIGENS

2.1.        O surgimento da filosofia na Grécia antiga

2.1.1.   A passagem do pensamento mítico para o filosófico – científico

  • No livro I da metafísica de Aristóteles ele cita Tales de Mileto como sendo o primeiro filósofo.

Interrogação :O que Tales de Mileto faz de tão diferente para o chamarem de primeiro filósofo? Será que não houve pensamento antes dele?

  • Os povos como assírios, babilônios, chineses, indianos, egípcios, persas e hebreus. Tinham uma visão do mundo que os cercava. Isto era conhecido como pensamento mítico.

Interrogação: Qual a diferença do pensamento mítico e do filosófico – científico que surge no VI a. C.?

  • O pensamento mítico consiste em uma forma pela qual um povo explica aspectos essenciais da realidade em que vive: Ex: a origem do mundo, o funcionamento da natureza, a origem do povo a ética deste povo.
  • O mito caracteriza-se sobretudo pelo modo como estas explicações são dadas.
  • O termo grego mythos significa: discurso especial, ictício ou imaginário, podendo ser sinônimo de mentira.
  • As narrativas não são produtos de um autor, mas parte da tradição cultural e folclórica de um povo. Sua cronologia é incerta, a transmissão é oral.
  • Os poetas Homero (Ilíada e a Odisséia séc. IX a.C.), e Hesíodo (Teogonia séc. VIII a.C.), Não são as fontes desses mitos, mas relatam, lenda existentes desde (1500 a.C. período arcaico)
  • Por ser parte da tradição cultural, é configurado como a própria visão de mundo dos indivíduos, a maneira de vivenciar esta realidade.

Pressupostos de adesão e aceitação.
·         O mito:  Não se Justifica, não se fundamenta, não se presta a questionamento, não se presta a crítica e a correção, não há discussão sobre o mito, exclui outras perspectivas de discussão. Ou se aceita o mito (por ser parte dessa cultura), ou não pertence a ela; o mito não faz sentido para ele.

Os elementos: como forma de explicar a realidade é o apelo ao: Sobrenatural, Mistério, ao sagrado e a magia.

Ex. de estrutura mítica: Tudo é governado por uma realidade exterior ao mundo humano e natural. Essa força é: superior, misteriosa, divina. Meio de contato: pelos sacerdotes, magos, iniciados, são capazes de interpretar. Intermediário: sacerdotes, rituais religiosos, oráculos. (postos entre o mundo humano e o mundo divino). Sacrifícios: Formas de tentar alcança favor, agradecer esses favores, aplacar a ira de deuses.

  • Transição Mítica – Filosófico Científica: Tales de Mileto, inicia-se com a insatisfação com o tipo de explicação do real.
Insatisfação com a linha paradoxal do mito. (Tenta explicar a realidade, mas para explicar recorre ao mistério e ao sobrenatural. Aquilo que não se pode explicar, não se pode compreender por estar fora do plano da compreensão humana. O método esbarra no inexplicável, na impossibilidade do conhecimento)

ATIVIDADE EM SALA DE AULA:
  1. Debata com seus colegas de grupo sobre a importância do pensamento filosófico e seu romper com o mundo de interpretação mítica. Relate cinco princípios míticos.


TERCEIRA AULA –

2.1.2.   O Início da Filosofia – Científica.

  • Os primeiros filósofos da escola jônica buscavam uma explicação do mundo natural ( a pysis, daí o nosso termo “física”), tendo base nas causas naturais (naturalismo)
  • Conceito: A explicação do mundo estaria no próprio mundo
      Rompe com o pensamento mítico enquanto forma de explicar a realidade. (não de forma completa)

2.1.2.1.       O Contexto da Tradição.

Esta transformação tem como resultado ou como paralelismo uma mudança na sociedade:
  • Decadência da civilização micênica – cretense na Grécia (séc. XII a.C.);
  • Decadência da estrutura baseada na monarquia divina (onde o sacerdote tinha grande influência política, o poder era hereditário);
  • Invação da Grécia pelos dórios vindos da Ásia central ( 900 – 750 a. C.);
  • Surgimento das cidades – Estados;
  • Participação política ativa dos cidadãos;
  • A religião vai tendo seu papel reduzido;
  • Surgimento de uma nova ordem econômica: baseada nas atividades comerciais e mercantis;
  • O pensamento mítico vai deixando de satisfazer as necessidades da nova organização social;
  • O pensamento filosófico científico encontra condição para o seu nascimento;

2.1.2.2.       O florescer do pensamento filosófico científico

Surgimento: Tales de Mileto (escola de Mileto). Início nas colônias gregas do mediterrâneo oriental, no mar Jônico, no que é hoje a península da Anatólia na Turquia. (Mileto e Éfeso)[2]

2.1.2.3.       Noções fundamentais do pensamento filosófico científico.

Contribuição dos primeiros pensadores: conjunto de noções que tentam explicar a realidade ( conceitos básicos sobre a natureza)

 A - A physis: Aristóteles chama o primeiro filósofo de physiólogos, ou seja, estudiosos ou teóricos da natureza (physis).
Objeto: (da investigação) – O mundo natural – explicação causal – encontrar resposta na própria natureza.

B - A causalidade: Uma conexão entre determinados fenômenos naturais constitui assim a forma básica da explicação científica.
            b.1. Explicar é relacionar um efeito a uma causa que o antecede e o determinar.
            b.2. A explicação levaria ao inexplicável, a um mistério, portanto, tal como no pensamento mítico.
            b.3. Para evitar isto, surge a necessidade de estabelecer uma causa primeira, um primeiro princípio, ou conjunto de princípios.

C – A arqué ( elemento primordial)

 O primeiro a formular essa noção é exatamente Tales de Mileto.

Conceito: “a água é a causa material de todas as coisas” (hydor)
            Talvez por ser o único a ser encontrado nos três  estágios sólido, líguido e gasoso.

Conceito: Anaximandro – “O ilimitado ou infinito é a essência de todas as coisas”
                  Anaxímenes – “Todas as coisas resultam de uma condensação ou refração do ar.” (apeíron  - um principio abstrato)

Conceito: Heráclito: “o fogo é o fluxo universal ou o devir de todas as coisas e o primeiro princípio da realidade” (princípio explicativo)

Conceito: Parmênides – “O ser é a única substância homogênea e contínua.” p. 25

Academicamente, a Filosofia é dividida em:
ANTIGA ou CLÁSSICA
- do século VIaC até VIdC -
Foi a era dos pré-socráticos, os filósofos da natureza, os Atomistas, os sofistas, de Pitágoras, Sócrates, Platão, Aristóteles, Plotino e etc. Esses filósofos simplesmente construíram toda a estrutura de nosso conhecimento. Tudo o que temos hoje deve-se ao progresso promovido pelos gregos antigos, ainda que a maior parte dele tenha permanecido adormecido por mil anos. O Universo foi a principal preocupação nesta época.
MEDIEVAL
- do século IIdC até XVdC -
A era da Filosofia Cristã, da Teologia Revelada, da tradição escolástica. A preocupação principal dos filósofos era Deus. Alguns deles foram canonizados, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino. Surge a Navalha de Guilherme de Occam, que mais tarde viria a ser a ferramente básica da Ciência.
MODERNA
- do século XVIIaC até XIXdC -
Surge junto com o Renascimento e o despertar científico, que recupera a sabedoria da Grécia Antiga. O Racionalismo Cartesiano, o Empirismo, o retorno do Ceticismo e muitos outros movimentos deram impulso a Ciência. Descartes imortalizou o "Penso Logo Existo" como um ponto de partida para a construção de um conhecimento seguro. Mais tarde Karl Marx lança as bases do Socialismo, e Adam Smith estrutura o Capitalismo. O enfoque de aí em diante se centrou no Ser Humano e suas possibilidades.
CONTEMPORÂNEA
- do XIXdC até...  -
Os novos desafios no mundo atual surgem sob a forma da Emancipação Feminina, o rompimento definitivo dos Governos com as Igrejas Cristãs, o Existencialismo, a ênfase na Linguística, e mais recentemente o Estruturalismo e o Desconstrutivismo. Alguns nomes já se imortalizaram, como Sartre, Simone de Beauvoir ou Michael Foucalt.


[1] MARCONDES, Danilo. Iniciação à História da Filosofia. p.14
[2] Ponto de encontro das caravanas provenientes do Oriente – Mesopotâmia, Pérsia, Índia e China. Nessa
s cidades conviviam diferentes cultura, e de forma harmoniosa. Eram cidades cosmopolitas (as ilhas Jônicas), pluralismo cultural, diversidade lingüística, tradição, cultos e mitos.

Introdução: História da Sociologia. Primeiro e Segundo ano.


Para se estudar a história de um ramo da ciência é necessário a maior neutralidade possível nos fatos mencionados, evidenciando as reais contribuições que sofreu o pensamento sociológico.

2.1.     Contribuições do Helenismo.


Ainda em seu estado embrionário a sociologia começa a ter suas concepções formadas no meio filosófico, neste período três obras marcam a sociologia, seja pelo estudo do homem ou da sociedade, são elas:

            Platão (429 – 341 a.C.) – A república;
            Aristóteles (384 – 322 a.C.) – A Política;
            Santo Agostinho (354 – 430 d.C.) – A Cidade de Deus.

Essas obras quando fazem menção do papel do homem na sociedade e do ideal de sociedade e da dependência do homem do estado, propõem um ideal da sociedade. É evidente que suas contribuições são mais estudadas na cadeira de filosofia e às vezes lembrada na sociologia como influência sobre todo o desenvolvimento histórico.



2.2.     Contribuições na idade média


Vista comumente como idade das trevas esse período foi de grande valia pela sua manutenção das obras antigas e pelos conflitos enriquecedores dos bispos, laicatos e governos que formam uma ponte para o posterior conceito da sociologia.

Quem se destaca como luz neste período é Tomás de Aquino que após Santo Agostinho busca um contraponto entre o platonismo de Agostinho e a apropriação religiosa pelo Aristotelismo no século XIII e movimentada pelo seu pensamento e pela apropriação do mesmo pela Igreja.

O sub-julgar a sociedade ao poder Papal tanto em questões religiosas como na política enfurece principalmente os governos dos estados independentes da Inglaterra, França e Alemanha que não viam nenhuma vantagem nesse controle e logo proporam progressivamente uma ruptura com a Igreja através de idéias reformadas.

2.3.     A renascença


Este período é marcado pelo desenvolvimento das artes e a cultura em torno do homem. Os monges e o poder dos bispos estão em decadência por suas preocupações temporais no cuidado da terra e pela desenfreada depravação.

A Itália maior parte sobre o domínio Papal está sobre influência da estética e do secular. As famílias que possuem dinheiro sustentavam artistas para que se desenvolve sua arte. Entre os pensadores se destacam:

1568 – 1639 – Tomás Campanella – A Cidade do Sol
1478 – 1535 – Tomás Morus – A utopia
1561 – 1626 – Francis Bacon – Nova Atlântida
1467 – 1536 – Desidério Erasmo (de Rotterdam) – O Elogio à loucura
1469 – 1527 – Maquiavel – O Príncipe
1598 – 1650 – R. Decartes – Discurso sobre o método
1712 – 1778 – Jean-Jacques Rousseau – O Contrato Social[1]

2.4     As contribuições do século XVIII


Visto como o período anterior ao resplendor da sociologia, as normas da sociologia devem-se a este período.

O mundo passava por mudanças brutais, a independência da América, a revolução Francesa. Com estes movimentos a sociedade passou por mudanças onde a sociedade foi afetada, a classe média teve papel vital e oportunidade de desenvolver suas riquezas, a classe baixa via a sua esperança no trabalho braçal prestado a classe média e os governos se preocupavam com o comércio em outras nações.

O setor educacional se desenvolveu rapidamente agora as universidades não ficavam restritas a regiões já conhecidas como; Alemanha, França, Inglaterra, Itália e Suíça.

Ouve um crescente interesse em se estudar estas transformações através da observação e da análise da ação e reação.

O ápice se deu com: Augusto Conte, Spencer e Karl Marx. Não se deve ignorar outros pensadores importantes desse período como:

1689 – 1775 – Montesquieu – O espírito das leis
1711 – 1776 – Hume – Tratado sobre a natureza humana
1723 – 1790 – Adam Smith – A riqueza das nações
1772 – 1837 – Fourier – Falanstérias
1771 – 1858 – Owen – Uma nova visão da sociedade
1809 – 1865 – Proudhon – O que é a propriedade
1770 – 1831 – Hegel – A dialética
1772 – 1823 – Ricardo – Princípios de economia política
1766 – 1834 – Matheus – Ensaios sobre o princípio da população.

Uma iluminação ainda maior estava por vir com os referenciais de maior expressão dentro da sociologia.

2.5     Os marcos da sociologia


Como marcos do século XIX surgem três expoentes maiores do desenvolvimento da sociologia que influência o mundo contemporâneo. São eles: Augusto Conte, Hebert Spencer e Karl Marx.

Augusto Conte tem suas origens na França mais precisamente em Montpellier. É conhecido pela doutrina positivista e pela sua obra: Curso de Filosofia Positiva.

Alguns princípios básicos por ele desenvolvido foram:

            Prioridade do todo sobre sua ramificação;
            O homem como sendo um ser sempre igual;

Conte (1798 – 1857) colocará a sociologia como a ração de ser das ciências; e ficou marcada pela lei dos três estados cuja classificação é a seguinte:

“ Estado teológico ou fictício, em que se explicam os diversos fenômenos através das causas primeiras..., estado metafísico ou abstrato. As causas primárias são substituídas por causas mais gerais... estado positivo ou científico. O homem tenta compreender as relações entre as coisas e os acontecimentos através da observação científica e do raciocínio...”[2]

Entende-se que no primeiro estado ele passa por uma divisão natural do crer; primeiro se atribui poderes e milagres a objeto e a animais, mais conhecido como “fetichismo”. O segundo período do mesmo estado o homem passa a crer e dar estas atribuições a deuses. Cada Deus possuí uma personalidade distinta “politeísmo” e a última etapa é o auge do estado sendo conhecido pela adoração a um único Deus e somente a sua existência como eterno “monoteísmo”.

Além da obra citada anteriormente outra obra de desenvolvimento do positivismo é a “Política Positiva”.

O segundo marco desse período é Hebert Spencer sendo de origem inglesa e influenciado por Darwin faz surgir como conseqüência de seus estudos a “Escola Biológica”.

Também como Augusto Conte parte para uma divisão do mundo em três partes: o inogârnico, os orgânicos e os superôrganicos. Influenciado por Darwin aplica a evolução à sociedade em todos os seus estados. A evolução para ele era do simples para o complexo.

Para perpetuar as suas concepções duas obras de Spencer são de vital importância; Princípios de Sociologia e o Estado da Sociedade.

O último marco, não menos e nem mais importante que os outros é Karl Marx é de origem Alemã, para se entender as concepções de Marx é necessário olhar para a História e ver que a sua influência é camponesa e os olhos estão voltados para o sistema de produção. Como demonstração disto é a sua obra; O Capital.

Pra sua concepção ele cria em um modo peculiar de enxergar a sociedade como “infra-estrutura” e “supra-estrutura”

Marx busca através do estado o ideal igualitário sem a discrepância das classes sociais.

2.6.        A sociologia no século XX ( modernidade)


Muitos são os nomes da sociologia contemporânea e cada qual com sua contribuição, mas aqui se estudará somente o divisor de áquas, ou não querendo ser injusto, aqueles que parecem ser os grandes nomes.

2.6.1. Émile Durkheim


Durkheim que assim como Conte é Francês, mas as semelhanças param por aí.

É conhecido por fincar estacas na metodologia do estudo da sociologia dando a está a estrutura que era necessária.

Suas obras de maior destaque foram: A divisão do trabalho social; As regras do método sociológico e o Suicídio.

Durkheim em suas pesquisas faz uso do método monográfico e estatístico. Um de seus marcos narradas em o Suicídio foi à característica de um grupo em possuir uma “consciência coletiva”.



2.6.2. Max Weber


Assim como Karl Marx, Weber era alemão, mas também as conhecidências terminam aí.

Weber busca entender a conduta social do individuo e das classes onde esse homem está. Ele desenvolveu o sistema de análise sociológica, onde se estuda o acontecimento para saber e compreender o tipo ideal.

As suas obras mais difundidas no mundo moderno são: A ética protestante e o espírito do capitalismo e a Economia e sociedade. A primeira sendo uma crítica ao movimento da reforma por causa de suas conseqüências na Europa de sua época, Weber vê neste movimento a força motriz do capitalismo moderno.


[1] Outra obra de extrema importância desse autor é; O discurso sobre a origem da desigualdade.
[2] LAKATOS, Eva Maria. Sociologia Geral. p. 45

Introdução a Sociologia. Primeiro ano. (Primeira Aula)


 Prof. Gustavo Custódio
A Sociologia é uma das Ciências Humanas que tem como objetos de estudo a sociedade, a sua organização social e os processos que interligam os indivíduos em grupos, instituições e associações. Enquanto a Psicologia estuda o indivíduo na sua singularidade, a Sociologia estuda os fenômenos sociais, compreendendo as diferentes formas de constituição das sociedades e suas culturas.
O termo Sociologia foi criado em 1838 (séc. XVIII) por Auguste Comte, que pretendia unificar todos os estudos relativos ao homem — como a História, a Psicologia e a Economia. Mas foi com Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber que a Sociologia tomou corpo e seus fundamentos como ciência foram institucionalizados.

 A Sociologia surgiu como disciplina no século XVIII, como resposta acadêmica para um desafio que estava surgindo: o início da sociedade moderna. Com a Revolução Industrial e posteriormente com a Revolução Francesa (1789), iniciou-se uma nova era no mundo, com as quedas das monarquias e a constituição dos Estados nacionais no Ocidente. A Sociologia surge então para compreender as novas formas das sociedades, suas estruturas e organizações.
A Sociologia tem a função de, ao mesmo tempo, observar os fenômenos que se repetem nas relações sociais – e assim formular explicações gerais ou teóricas sobre o fato social –, como também se preocupa com aqueles eventos únicos, como por exemplo, o surgimento do capitalismo ou do Estado Moderno, explicando seus significados e importância que esses eventos têm na vida dos cidadãos.
Como toda forma de conhecimento intitulada ciência, a Sociologia pretende explicar a totalidade do seu universo de pesquisa. O conhecimento sociológico, por meio dos seus conceitos, teorias e métodos, constituem um instrumento de compreensão da realidade social e de suas múltiplas redes ou relações sociais.
Os sociólogos estudam e pesquisam as estruturas da sociedade, como grupos étnicos (indígenas, aborígenes, ribeirinhos etc.), classes sociais (de trabalhadores, esportistas, empresários, políticos etc.), gênero (homem, mulher, criança), violência (crimes violentos ou não, trânsito, corrupção etc.), além de instituições como família, Estado, escola, religião etc.
Além de suas aplicações no planejamento social, na condução de programas de intervenção social e no planejamento de programas sociais e governamentais, o conhecimento sociológico é também um meio possível de aperfeiçoamento do conhecimento social, na medida em que auxilia os interessados a compreender mais claramente o comportamento dos grupos sociais, assim como a sociedade com um todo. Sendo uma disciplina humanística, a Sociologia é uma forma significativa de consciência social e de formação de espírito crítico.
A Sociologia nasce da própria sociedade, e por isso mesmo essa disciplina pode refletir interesses de alguma categoria social ou ser usado como função ideológica, contrariando o ideal de objetividade e neutralidade da ciência. Nesse sentido, se expõe o paradoxo das Ciências Sociais, que ao contrário das ciências da natureza (como a biologia, física, química etc.), as ciências da sociedade estão dentro do seu próprio objeto de estudo, pois todo conhecimento é um produto social. Se isso a priori é uma desvantagem para a Sociologia, num segundo momento percebemos que a Sociologia é a única ciência que pode ter a si mesma como objeto de indagação crítica.[1]